terça-feira, 22 de maio de 2012

FRIENDLY FIRE


Friendly Fire é uma expressão da língua inglesa que tem um significado profundo quando se demora em refletir a respeito. Fogo amigo, na língua portuguesa, chega a ser uma expressão eufêmica quando analisada no contexto dos conflitos armados. Trata-se de uma forma suave de justificar ataques militares de aliados contra alvos aliados, ou seja, amigos abatendo amigos.
Olhando para a história não muito distante, encontramos os Pracinhas brasileiros. Estes foram soldados que combateram na II Guerra Mundial, e muitos deles foram abatidos por exércitos aliados porque tinham uniformes parecidos com os dos alemães. Alguns dos nossos soldados morreram assim na guerra, por engano. Outra vítima do “fogo amigo” em batalha foi o do aviador italiano Ítalo Balbo. Ele foi atingido por seus compatriotas durante a segunda grande guerra. A aeronave pilotada por Balbo foi confundida e abatida por um cruzador italiano, em Tobruk, na Líbia. Que tragédia!
Hoje, o ser humano, no topo da sua autossuficiência parece estar confuso e sem discernimento no tocante as relações interpessoais. Caso suspeite de que alguém está se aproximando de forma ameaçadora: fogo! Não importando-se de que pode se tratar de um companheiro de jornada, um colega de trabalho ou algo parecido. Em caso de dúvida, a ordem é atirar para matar. O egoísmo tem feito do homem um ser cada vez mais territorialista. O mundo está em pleno desenvolvimento tecnológico avançado e, na mesma velocidade, o homem faz o trajeto contrário caminhando para a regressão.
Tento agora levá-lo a meditar sobre o assunto no contexto do que o apóstolo Paulo escreveu aos cristãos em Éfeso, no capítulo 6, verso 12: Porque não temos que lutar contra a carne e o sangue, mas, sim, contra os principados, contra as potestades, contra os príncipes das trevas deste século, contra as hostes espirituais da maldade, nos lugares celestiais. Palavras muito interessantes do apóstolo que mostram que a mesma realidade daquela época se repete agora.

Muitos há que estão na grande batalha combatendo contra aqueles que deveriam ser seus aliados. Parece-me que apenas os interesses pessoais são levados em conta, deixando de vislumbrar a glória daquilo que Deus preparou para Seus filhos, e contentando-se com o pouco que este mundo oferece. E o pior é que estas migalhas custam muito caro. Elas podem custar própria vida eterna. É realmente muito pouco por um preço tão elevado.

segunda-feira, 21 de maio de 2012

KADHAFI ERA APENAS UM


Lendo a respeito da morte do líder Muammar Kadhafi, ex-governante da Líbia, dois comentários me fizeram refletir mais apuradamente. O primeiro diz que Kadhafi, apesar de toda autoridade e imponência que demonstrava ter, cultivava uma imagem de homem puritano, sofrido, oriundo do deserto. Esse é o modelo da história do menino pobre, marcado pelo sofrimento, que venceu na vida. O segundo, descreve um Kadhafi, contrariando a sua imagem autoritária e extremista, inseguro e depressivo.

Confesso que na minha experiência de vida tenho encontrado alguns “Kadhafis”, e isso foi o que me fez escrever este comentário, que agora compartilho com todos neste espaço. Essa história de menino bom, sofrido, abandonado por todos, que dribla as dificuldades e se torna um vencedor é mais comum do que parece. Será que estou falando de algo muito longe da nossa realidade? Será que isso acontece só na Líbia? Não, claro que não! Olhe ao seu redor e encontrará um “Kadhafi”em minuatura bem perto de você. Aquele que apavora os seus liderados com as suas ações, mas, no íntimo de sua solidão, não passa de um ser humano inseguro e depressivo, triste e despreparado.

Outro dia ouvi de um grande palestrante, que me reservo o direito de não citá-lo agora, que toda timidez esconde um caráter arrogante e dominador. Kadhafis! Apenas Kadhafis. É claro que não se deve generalizar, porém, há verdade neste pensamento. Muitos, em todas as esferas de relacionamentos, que desfrutam o doce sabor do poder, muitas vezes são tímidos arrogantes que se escondem atrás da capa do menino puritano e sofrido e, de seu quartel general particular, espalha terror sobre os outros. O medo de perder o transforma numa pessoa insegura, em um ditador inconsequente. Eles não conseguem conviver com o pensamento de que um dia podem voltar ao deserto de onde vieram.

Um simples ser humano que pensa torna-se inimigo do “rei”. É proibido pensar, ter ideias próprias no território de um “Kadhafi”. Ditadores não toleram diferenças. Observe que, quem tem pensamentos kadafianos, exige dos outros uma conduta segundo a sua vontade. Qualquer atitude contrária a isso é considerada traição punida com pena de morte.

O mundo está livre de mais um ditador. Muammar Kadhafi está morto. Até que matar o homem Kadhafi não foi tão difícil assim. Um pouco de estratégia militar e perseverança trouxeram o êxito esperado. Porém, penso que o mais difícil é matar essa ideologia ditatorial que está impregnada no DNA do ser humano em todos os lugares do mundo. Para isso só há uma solução: a essência do amor de Deus na vida.