
Friendly Fire é uma expressão da língua inglesa que tem um significado profundo quando se demora em refletir a respeito. Fogo amigo, na língua portuguesa, chega a ser uma expressão eufêmica quando analisada no contexto dos conflitos armados. Trata-se de uma forma suave de justificar ataques militares de aliados contra alvos aliados, ou seja, amigos abatendo amigos.
Olhando para a história não muito distante, encontramos os Pracinhas brasileiros. Estes foram soldados que combateram na II Guerra Mundial, e muitos deles foram abatidos por exércitos aliados porque tinham uniformes parecidos com os dos alemães. Alguns dos nossos soldados morreram assim na guerra, por engano. Outra vítima do “fogo amigo” em batalha foi o do aviador italiano Ítalo Balbo. Ele foi atingido por seus compatriotas durante a segunda grande guerra. A aeronave pilotada por Balbo foi confundida e abatida por um cruzador italiano, em Tobruk, na Líbia. Que tragédia!
Hoje, o ser humano, no topo da sua autossuficiência parece estar confuso e sem discernimento no tocante as relações interpessoais. Caso suspeite de que alguém está se aproximando de forma ameaçadora: fogo! Não importando-se de que pode se tratar de um companheiro de jornada, um colega de trabalho ou algo parecido. Em caso de dúvida, a ordem é atirar para matar. O egoísmo tem feito do homem um ser cada vez mais territorialista. O mundo está em pleno desenvolvimento tecnológico avançado e, na mesma velocidade, o homem faz o trajeto contrário caminhando para a regressão.
Tento agora levá-lo a meditar sobre o assunto no contexto do que o apóstolo Paulo escreveu aos cristãos em Éfeso, no capítulo 6, verso 12: Porque não temos que lutar contra a carne e o sangue, mas, sim, contra os principados, contra as potestades, contra os príncipes das trevas deste século, contra as hostes espirituais da maldade, nos lugares celestiais. Palavras muito interessantes do apóstolo que mostram que a mesma realidade daquela época se repete agora.
Muitos há que estão na grande batalha combatendo contra aqueles que deveriam ser seus aliados. Parece-me que apenas os interesses pessoais são levados em conta, deixando de vislumbrar a glória daquilo que Deus preparou para Seus filhos, e contentando-se com o pouco que este mundo oferece. E o pior é que estas migalhas custam muito caro. Elas podem custar própria vida eterna. É realmente muito pouco por um preço tão elevado.
